Sobre bebês “independentes”


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Mesmo antes de engravidar, eu sempre tive uma ideia fixa de que, se um dia eu tivesse um filho, o criaria sendo “independente”. Não no sentido de trabalhar e se sustentar quando adulto (até porque isso é o óbvio) mas no sentido de ser uma criança independente, mesmo. Eu o o colocaria para dormir direto em seu quarto assim que chegasse da maternidade, ou no mínimo no próprio berço. Eu o tiraria das fraldas cedo; eu o ensinaria a brincar sozinho; e, principalmente, não deixaria que ficasse apegado demais a mim.

Ser mãe é completamente diferente do que se imagina, e quando você leva para casa um bebê de verdade, e não aquele que você idealiza, você percebe que boa parte das coisas não são tão fáceis quanto pareceram nos seus planos.

O medo de deixar o bebê sozinho é muito maior do que a vontade de ensiná-lo a dormir no próprio quarto. O desfralde é demorado e até traumático, se não for feito com delicadeza. Brincar sozinho contraria totalmente a ideia de ensinar e dar estímulo à criança. E, principalmente, não querer que um bebê seja apegado a mãe é tão sem lógica que chega a ser ridículo.

Assim que comecei a conviver com meu pequenino, percebi que, se eu mesma era apegada, não desgrudava e sentia medo de tudo por ele… imagine ele, um serzinho que estava na barriga, não conhecia nada e tinha o meu cheiro e minha voz como única referência. Ele dormia mal, eu mais ainda, e por incentivo do meu marido e pai dele, comecei a colocá-lo para dormir na nossa cama. Mas antes, tentei muito fazê-lo dormir no carrinho ao lado da cama.

E insisti em muitas coisas, com ele, antes de me convencer de que cada um tem seu tempo, cada família é de um jeito, cada criança tem uma personalidade, e não preciso provar nada para ninguém.

Foi quando me dei conta disso, que me dei conta de que não tem problema, se ele ainda for para a minha cama no meio da noite – afinal, ele terá a vida toda para dormir longe de mim.

Que não tem problema ele querer o meu colo o tempo todo, pois logo ele vai crescer e vai se trancar no quarto dele, querendo privacidade. E que é bom aproveitar enquanto ele quer brincar conosco, já que logo ele vai querer brincar só com os amigos dele.

A maternidade é naturalmente difícil, mas o que a torna mais difícil ainda é essa pressa descabida que a gente tem de que os nossos filhos cresçam, para depois perceber o quanto aquele amor que o bebê sentia por nós faz falta. E que um bebê terá muito tempo e com certeza aprenderá a ser independente – e só o que não pode faltar é amor.


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