Seu corpo gerou uma vida. Seja gentil com ele


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Quando eu tinha dezessete anos, pesava uns 50 quilos. Comia uma barra de chocolate atrás da outra, e não ganhava 1 grama. Ainda assim, nunca coloquei um piercing no umbigo ou usei um top ou blusa cropped, porque não queria que minha “barriga enorme” aparecesse.

Tive oscilações de peso no período dos entre os 22 e os 23 anos após uma depressão. O peso normalizou com o tempo, mas a cobrança interna sempre existiu e ainda existe. Mas o que mudou ao longo dos dois últimos anos, é que iniciei um excercício mental. Quando penso em criticar minha aparência, penso: “seu corpo gerou uma vida, seja gentil com ele”.

Quando engravidei, aos 26 anos, estava em forma, fazia yoga todos os dias, e admito que tive medo de engordar demais e não conseguir perder o peso adquirido na gravidez. Precisava de uma auto-afirmação muito grande, e botei na minha cabeça que, quando o bebê nascesse, eu me tornaria fitness, e ficaria com o corpo “perfeito”, sem celulite ou qualquer outro “defeito”, e ficaria melhor do que era na adolescência.

Mas aí o tempo passou, meu filho nasceu em um parto que foi a experiência mais intensa e inacreditável da minha vida, e então caiu a ficha do que esse corpo supostamente imperfeito é capaz. E aí refleti: eu queria ficar igual a uma modelo de passarela pra que, mesmo?

Aprendi a ser muito mais gentil comigo mesma, em vários sentidos. Tive algumas semanas em 2020 em que notei uma retenção de líquido considerável, ao ponto de pensar em procurar um endocrinologista, e comecei a cuidar melhor da saúde. E quando digo que comecei a ser mais gentil comigo mesma, quero dizer que, assim como deixer de ser tão crítica e me comparar com os corpos de Instagram, também dei uma reduzida no açúcar e nos carboidratos, comecei a beber mais água e consumir mais frutas e cereais saudáveis, e me dedico aos treinos na academia com uma disciplina militar – afinal, tenho consciência de que o tempo está passando, e toda conta chega um dia.

Escrevi todo esse texto pra mostrar como a maior mudança começa por dentro, e que sempre devemos iniciar um processo de mudança pensando primeiro na saúde – a estética vem como um bônus.

Antes, eu pensava em ficar “perfeita” nas fotos e aos olhos dos outros. Agora, o que eu penso é em me cuidar o melhor que eu puder para ficar o melhor possível de acordo com a minha idade e meu tipo físico, pra que possa viver pelo maior tempo e a melhor qualidade possível com minha família, com meu filho lindo e cheio de saúde, gerado por esse corpo aqui.

E foi assim que eu, após toda essa mudança de pensamento, beirando os 30 anos e com um filho de 2 anos, usei uma blusa cropped pela primeira vez. E também uma blusa sem sutiã, mesmo amamentando até hoje. Eu, que cheguei a cogitar colocar silicone, hoje nem penso na ideia e prefiro pegar firme nos exercícios de peitoral.

Se você está insatisfeita com seu corpo, tente cuidar dele da melhor forma possível, como um agradecimento por tudo que ele fez e ainda faz por você, ainda que não se pareça com o corpo da Gisele Bundchen. E, o principal, faça isso com gentileza e amor.

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