Série: Supermães


serie supermaes - Série: Supermães

Eu sou viciada em Netflix, principalmente naqueles dias em que o bebê não dá folga e sou obrigada a ficar no sofá, com ele no colo. Acabei esbarrando com a série “Supermães”, e uns três dias depois, minha curiosidade falou mais alto e dei o play. Adorei.

A história é toda centralizada em Kate, Anne, Frankie e Jenny, quatro mães às voltas com o fim da licença maternidade e a recolocação no mercado de trabalho. Existem outras mães, mas o foco principal é nelas. Kate é uma executiva apaixonada pela carreira, que engravidou no auge e agora precisa lidar com a ascenção, a concorrência com os colegas homens, e as dificuldades de encontrar a babá certa e dar atenção à família; Anne é uma terapeuta, com o bebê e mais uma filha mais velha rebelde, e no meio do turbilhão ainda precisa lidar com uma nova e inesperada gravidez (não é spoiler).

Frankie é corretora de imóveis, e tem de lidar não só com o fim da licença como com uma pesada depressão pós-parto, e ainda com a incompreensão da companheira, que fica obcecada de preocupação com a bebê e mal consegue olhar para o lado; Jenny, analista de TI, casada com um aspirante a roteirista e aparentando ser bem mais jovem que as outras três, se vê sufocada com a nova vida de mãe e esposa e passa a procurar algo que nem ela mesma sabe o que é.

A Kate é a que tem mais destaque e, na minha opinião, a mais interessante. A série é essencialmente feminista, e ela é praticamente um ícone disso: é forte, batalhadora, até meio dura, mas mostra sua vulnerabilidade nos problemas com o cão de estimação, ao ter que lidar com as intromissões da própria mãe na criação de seu filho, e vive tendo que se impor, até mesmo para impedir que seu bebê tome fórmula sem autorização dela – e ela é quem mais sofre com palpites, impressionante! A personagem é empoderada, mas ainda assim insegura em alguns momentos – e é centrado nela um dos melhores diálogos da trama, quando uma colega do grupo de mães a critica por ter aceitado determinada oferta no trabalho. Há também uma cena imperdível envolvendo ela e um urso, logo no primeiro episódio.

Anne, inicialmente chata, se mostra melhor ao longo da série, ao viver uma situação que chega a me dar pesadelos: engravidar de novo, tendo um bebê com menos de 1 ano. A situação é bem desenvolvida e conduzida, assim como a mágoa de Anne ao ver a proximidade da filha de nove anos com a babá, bem diferente do que tem com ela. A garotinha, aliás, é uma das melhores atrizes mirins que já assisti.

Frankie pareceu divertida no ínicio, mas se perdeu um pouco no caminho. As cenas dela e da esposa Giselle, que poderiam ter sido bem exploradas, acabaram sendo as que menos deram vontade de assistir. E também, a atriz é boa, mas a depressão pós parto foi retratada de maneira superficial.

Jenny, que tem uma crise de identidade que a levou a fazer coisas bem estúpidas e ter atitudes que beiraram o vulgar em alguns momentos, ainda assim é carismática e tem sentimentos perfeitamente compreensíveis. Mas acabou se tornado irritante e, das quatro mães, parece ser a que menos se importa com a filha. O marido dela, paspalho no início e egoísta por simplesmente parecer não ouvir a esposa, acabou me dando pena no final. Ele pode ter defeitos, nas notavelmente ama Jenny e o bebê.

A série é leve, a primeira temporada tem apenas treze episódios de cerca de vinte minutos, dá tranquilamente pra assistir em um dia. Indico a todos, mas principalmente para novas mães como eu, pois as protagonistas são muito humanas, passam por situações bem reais, e é impossível não se identificar com pelo menos uma. A sensação é de ser amiga delas.


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