Quando é preciso parar e respirar


quando e preciso parar e respirar - Quando é preciso parar e respirar

Ser mãe de família é difícil. Ser mãe de família e trabalhadora é difícil pra caramba. Agora, experimenta ser mãe de família e empreendedora, pra você ver. As vezes é preciso parar e respirar…

Eu escrevi alguns artigos explicando que cumpriria a estabilidade na empresa onde eu trabalhava, após a licença maternidade, e então a empresa me desligaria. Não rolou. Não me orgulho de dizer isso, mas não consegui voltar sequer um dia, pedi demissão assim que findaram as minhas férias. Foi um alívio imenso, me senti forte e corajosa pra enfrentar qualquer coisa, e completamente livre para investir meu tempo no que eu realmente amo, que é meus blogs e minha família. Já disse e repito, mesmo com cansaço e sacrifício, nenhum trabalho nunca me fez tão feliz quanto esse me faz.

O caso é que eu não conseguiria, de jeito nenhum, dar o meu melhor no local onde eu trabalhava. Eu não ficaria 100% tranquila longe do meu filho (mesmo deixando leite materno para ele, eu não conseguia tirar em grande quantidade e temi que ele passasse fome e perdesse peso), nem conseguiria me dedicar o suficiente ao meu negócio. Alguma coisa teria que ser negligenciada, e como eu não conseguiria fazer isso com meu negócio e muito menos com meu filho, sem dúvida negligenciaria meu emprego, algo que eu não queria fazer. Sempre tive chefias que me estenderam a mão quando precisei e cuidaram de mim durante a gravidez, e deixar essas pessoas em situação ruim dependendo do meu dia em casa, não me pareceu justo.

Mas mesmo assim, mesmo estando fazendo exatamente o que eu queria, a gente não é de ferro e não se sente 100% realizada o tempo todo. Somos seres humanos, afinal.

Trabalhar em casa e fazer outros horários é outro mundo. Posso preparar nossa comida de maneira saudável, ver o desenvolvimento do meu filho, estar com meu marido, e fazer meu exercícios físicos que tanto me fazem falta, quando não faço (minha mente só funciona bem se eu me movimentar). Posso me organizar e passar uma semana na praia, ainda que leve o computador. Posso fazer supermercado com calma. É tudo questão de se organizar, nem se compara à vida mega sacrificada de quem trabalha fora oito horas por dia, perde duas horas no trânsito e ainda precisa levar e buscar o filho na creche. Meu total respeito à você que faz isso, deve ser muito difícil.

Mas trabalhar em casa também cansa e é fácil bater a bad, se a gente não se cuidar. Principalmente tendo um bebê que limita as possibilidades de rolês, e um orçamento que limita ainda mais essas possibilidades de rolês, afinal, estamos começando.

Cheguei ao ponto de sair apenas para levar meu bebê no pediatra e nas vacinas, e ir ao supermercado, sempre de maneira rápida. Não há tempo de visitar ninguém, então só vemos outras pessoas quando elas nos visitam – algo raro, já que todo mundo trabalha e tem a própria vida.

Esses dias, após o cansaço me vencer pelo terceiro dia seguido, eu acordar muito tarde, não consegui fazer yoga nem correr e ainda prejudicar o cronograma do dia todo, me peguei chorando embaixo do chuveiro. Então me sentei em posição de lótus com a cabeça na água quente, fechei os olhos e comecei a mentalizar, como a professora de yoga ensinou.

“Eu estou no caminho certo. Eu estou dando o meu melhor. Eu falho, como qualquer ser humano, e isso não me torna uma mãe, mulher ou empresária ruim. Está tudo dando certo, está tudo dando resultado. Eu encontrei meu caminho, meu filho está saudável e feliz e meu trabalho está me mantendo, ainda que de maneira apertada, por enquanto. Tudo está valendo a pena. Nós conseguimos.”

Respirei fundo, levantei, terminei o banho, me arrumei e comecei mais um dia, me sentindo mais leve.

Às vezes é só disso que precisamos, mamães. Conversamos um pouco com nós mesmas e compreender que é assim mesmo, que aprendemos algo novo todos os dias e que, mesmo errando, estamos e continuaremos dando sempre o nosso melhor.


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