Precisamos falar sobre o desrespeito à infância


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Eu realmente não queria escrever sobre o que vou escrever agora, relutei porque o vídeo que me motivou a escrever isso foi um daqueles vídeos que a gente vê sem querer na timeline do Facebook (maldito Facebook!) e depois só queria clicar em “desver”. Mas a coisa ficou tão entranhada na minha cabeça, que achei que a única maneira de expulsá-la seria escrevendo. O desrespeito a infância foi tão grande que eu não consegui ignorar isso.

O vídeo em questão foi um daqueles vídeos de câmera supostamente escondida que acabam vazando. A legenda já me chamou atenção de cara: “tudo bem transar com a babá, desde que a sua mulher não seja policial”.

Pela altura, a câmera parece estar posicionada em uma cômoda, e uma mulher simplesmente surge com uma arma na mão, atirando pelos cantos. Grita, invade um quarto cuja porta aparece na parede em frente e dá mais uns dois tiros, aparentemente no chão; sai do quarto, some da tela e logo atrás surge uma mulher completamente nua e pára na porta, parecendo estar chorando. O homem parece estar vindo, mas o vídeo é cortado antes que ele apareça totalmente.

Seria só mais um vídeo de flagra que as pessoas compartilham na internet como se fosse a coisa mais engraçada do mundo, se não houvesse um BEBÊ em cena. Sim, um bebê em cena o tempo todo, um bebê no carrinho bem em frente a câmera, um bebê que parece ter cerca de um ano, visto que fica de pé no carrinho; um bebê que observa tudo ao redor e cai em um choro desesperado, ao ouvir os gritos e os tiros.

Um bebê que, além de tudo, está sozinho em uma sala e em um carrinho completamente sem proteção, enquanto adultos asquerosos se divertiam no quarto ao lado.

Esse vídeo me deixou um pedaços, partiu meu coração em caquinhos, me deu ânsia de vômito. Me fez parar para pensar o quanto existem por aí pais tão lixos, a ponto de fazer uma criança inocente passar por isso. Um bebê que está descobrindo o mundo, que está dando os primeiros passos, sendo exposto a uma cena de nudez e violência que é chocante até mesmo para um adulto ver. E pessoas compartilhando o vídeo como algo digno de riso, focando apenas no susto do casal supostamente traidor no quarto e – pasmem – mulheres batendo palmas e lamentando apenas o fato da mulher atiradora não ter acertado as cabeças do marido canalha e da “vagabunda”.

Nos comentários também havia gente tão raivosa e com pena do bebê quanto eu, o que me dá alguma esperança na humanidade. E também havia comentários de gente desmentindo a historia de esposa traída criada: ao que parece, a história passou na TV, as pessoas do vídeo são membros de uma facção e acostumadas a fazer festinhas a três; a treta rolou porque a mulher saiu do quarto e o marido “se divertiu” sozinho com a garota, algo que estava fora do combinado.

Ela ficou com ciúmes e atirando. Na presença do próprio filho. TUDO na presença da criança, e não venham me dizer que eles estavam fechados no quarto – isso não muda o abandono, não muda a exposição de uma criança acordada a ruídos sexuais e brigas.

Eu não tive estômago pra ir atrás da história toda, mas espero sinceramente que esses pais lixos tenham perdido a guarda da criança. O Facebook não demorou muito a derrubar o vídeo, mas ele não sai da minha cabeça. Porque fico imaginando o que tem de crianças na mesma situação, sendo abusadas fisicamente e psicologicamente, com pais fazendo sexo na presença delas, com os pais brigando na presença delas, com adultos achando ok deixar um inocente completamente sozinho pra se divertirem.

É tão repugnante, que não consigo não julgar. Quem tem um bebê sabe o quanto eles confiam nos pais; pais e mães precisam ser o porto seguro de seus filhos, e não os “adolescentes” que transformam o lar deles em um lugar violento e obsceno. Crianças precisam ser crianças, crianças não podem ser expostas ao que não compreendem.

E antes que digam que o fato de ter filhos não quer dizer que a pessoa tenha morrido e não possa se divertir: você pode se divertir da maneira que quiser, fazer a putaria que quiser, beber o quanto quiser, se meter na briga que quiser, se isso disser respeito apenas a você; mas NÃO NA PRESENÇA DO SEU FILHO. Não na presença de uma criança, não na presença de um bebê.

E, mais triste ainda, foi ver gente dizendo que o “único erro da mulher foi não ter acertado a cabeça do marido”, e “na hora da raiva a gente perde a cabeça”.

Que coisa triste, que mundo podre esse em que vivemos. O que será de crianças crescendo em um ambiente assim?

Só queria poder dar um abraço naquele bebê.



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