Parem de julgar as outras mães


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Costumo acompanhar grupos de maternidade no Facebook, para trocar ideias e pesquisar assuntos que geralmente afligem as mamães, para usar como inspiração de trabalho e também para me ajudar no meu dia-a-dia – afinal, eu também sou mãe. Um dos grupos é sobre gravidez, e uma puérpera (mãe nos 45 dias pós-parto) deixou uma publicação fazendo uma pergunta: ela afirmou que fazia dez dias desde sua cesárea, e perguntou se já podia andar.

Nessa publicação, o que me chamou atenção foram os comentários. A maioria das mães chocadas por ela perguntar se já podia andar, após dez dias. Muitas dizendo que no segundo dia já estavam limpando a casa. Que cuidavam do bebê e de outro filho, 1 dia após a cesárea. E, bônus, “ain, eu cuidava da casa, do bebê e do marido”.

Esse negócio de “cuidar do marido” já é algo que me irrita por si só. Afinal, o que seria “cuidar do marido”? Servir comida na boca? Passar as roupas dele? Lavar os pés, como faziam antigamente? Me chama atenção que uma mulher recém parida, e de cesárea (ora bolas, cesárea é uma cirurgia em que sete camadas de pele são cortadas!), tenha que “cuidar do marido”, ao invés de ser cuidada por ele. Acho um tipo de situação que só é aceitável se o marido tiver um problema de saúde, mas isso é assunto pra outro post.

A outra parte que me chamou atenção foi justamente o julgamento das outras mães, que tiravam sarro por a garota não caminhar dez dias após a cesárea. Vejamos, cada pessoa é uma pessoa, cada dor é uma dor, cada uma reage de uma maneira. A ceśarea em si já é mais complicada do que o parto normal. E se a cesárea infeccionar, é mais complicado ainda – aliás, o cuidado e o descanso são fundamentais, para que não infeccione. Não vi comentários de outras mães fazendo mais perguntas a ela, para tentar analisar o contexto da situação; já chegaram jogando pedras e comparando com a situação de si próprias, como se a maternidade fosse uma eterna competição de quem é a mais foda.

Quando ainda estava grávida, lembro de um dia em que fiquei irritadíssima com os comentários em uma foto do Instagram da youtuber Taciele Acolea. Ela postou uma foto lanchando no Mc’Donalds, ao mesmo tempo em que amamentava a filha, que na época devia estar com uns 3 meses. A quantidade de gente puxando a orelha da moça não tava no gibi: “você está amamentando!”, “você não pode comer essas coisas!”, “seja mais saudável!”, “ser mãe é renúncia!”. Eu diria que essas pessoas julgadoras me dão preguiça, mas em algumas situações elas me dão é raiva, mesmo.

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Não bastam todos os palpites que ouvimos de familiares, amigos e até de gente na rua (na primeira consulta do Bernardo com a pediatra, uma desconhecida no posto de saúde disse que ele estava com calor e já ia levando a mão pra puxar o cueiro, mas eu afastei rapidinho), as outras mães, ao invés de exercerem a empatia, caem nessa de tacar pedra como se dissessem o tempo todo “você está errada, você é uma mãe ruim, o meu jeito é o certo, eu é que sou boa”. O ser humano já é um julgador nato que aponta o dedo pro outro com a maior facilidade e cara de pau do mundo; quando você é mulher, isso é naturalmente maior; quando você se torna mãe, isso triplica. É como se a sua vida virasse domínio público.

Queridas mamães que acompanham o blog: todo mundo julga, eu mesma sou uma que muitas vezes tenho que controlar os pensamentos maldosos, quando vejo outra pessoa fazendo algo que considero burrice. Somo seres humanos, afinal. Mas, justamente por sermos humanos, temos que lembrar que somos falhos, e que a maternidade é um dos maiores desafios da vida. Então, quando encontrar uma mamãe “errando” de alguma maneira, antes de criticar, dê seu abraço.


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