Os palpites que as mães ouvem – parte 1


os papites que as maes ouvem1 - Os palpites que as mães ouvem – parte 1

Fazia tempo que eu queria escrever sobre os palpites e perguntas indiscretas que as mães são obrigadas a ouvir, desde a concepção até o filho entrar pra faculdade. Pelo que vejo de relatos de mães e dedos julgadores apontando nos Facebooks da vida, somos eternas guerreiras levantando nossos escudos contra os famosos “narizes de bibica”, como diz a minha tia.

É muita coisa! Tanto que decidi dividir em duas partes. Esse primeiro artigo vai ser sobre gravidez, e na próxima semana deve sair o das mamães. Leiam, passem raiva comigo, e divirtam-se:

-”E aí, estavam tentando?”
Uma das coisas que a gente ouve quando conta que está grávida. Essa pergunta até que não é das mais irritantes, só acho meio engraçada. No meu caso não estava tentando, então quando dizia isso, automaticamente estava dizendo que tinha sido “acidente”. E aí sempre tem alguém pra dizer que ‘tá na chuva, é pra se molhar’.

-”Já sabe se é menino ou menina?”/ “Quer menino ou menina?”
Desde que minha barriga começou a crescer, não passei um só dia da minha gravidez sem responder essa pergunta pra alguém. E o mais incrível é que, muitas vezes, pra pessoas que nunca tinham me dado nem bom dia! Por que o sexo do bebê tem tanta importância, pra deixar todo mundo curioso? Juro que nos dias de ultrasson eu ia tão nervosa pra saber se estava tudo bem, que o sexo era a última coisa que me preocupava. Tem gente que não acredita, mas eu e meu marido sequer perguntamos o sexo do bebê durante os exames, só ficamos sabemos porque os médicos falaram, mesmo (o que não deixa de ser complicado. E se quiséssemos que fosse surpresa?).

-”Já escolheu o nome?”
E quando eu respondia o sexo, a pergunta do nome sempre vinha em seguida. Eu demorei a decidir o nome do meu filho porque passei a gestação toda em dúvida entre dois (e no final colocamos os dois, hehehe). E quando eu dizia que não tinha escolhido ainda, sempre ouvia um “escolhe logo esse nome!” Oi?

-”Tem que comer isso”/ “Não pode comer isso”
Essa é uma das mais irritantes! Cada médico segue uma cartilha, e o meu não proibiu absolutamente nada, apenas pediu moderação. Mas muitas vezes ouvi que não deveria estar tomando café, quando pegava minha xícara no refeitório da empresa. Por outro lado, optei por não beber absolutamente nada alcóolico, e aí sempre ouvia alguém dizer ‘ah, mas eu bebia e meus filhos nasceram perfeitos”. Que bom pra você, né filha? E só parem e pensem no que eu ouvia, por ser vegetariana…

-”Não pega peso/ não se abaixa/ não corre”
Tem muita gente que ainda acha que gravidez é doença, mas a verdade é que em uma gravidez normal e uma mulher saudável, pouquíssimas coisas são proibidas. Eu só tive restrição do médico a partir das trinta e quatro semanas, porque já estava com dilatação. Ao longo de toda a minha gestação eu trabalhei, fiz muita yoga, limpei a casa, fiz caminhada… e isso só fez bem. Gente, entendam: a intenção pode ser boa, mas se a futura mamãe está fazendo algo, é porque ela tem liberação médica. Ela jamais faria algo que prejudicasse a ela ou ao bebê, então não precisa correr até ela dizendo ‘não pode!’

-”E aí, vai ser normal ou cesárea?”
Gente, que coisa delicada de se perguntar, e as pessoas perguntam como se não fosse nada. Sério, o parto envolve tantas coisas, tantos sentimentos! Se a mulher disser que vai ser cesárea, corre o risco de ouvir um ‘ih, mas cesárea tem risco’, ou ‘nossa, a recuperação é dolorida, você não vai conseguir cuidar do bebê’. Muitas vezes ela queria o parto normal mas por alguma razão terá de fazer cesárea. Já pensou no quanto dói ouvir essas coisas? E ainda que seja cesárea por opção, é um direito dela, ninguém precisa ficar desencorajando. Por outro lado, quando eu dizia que seria normal, sempre ouvia um “nossa, você é muito corajosa…”. Hã, obrigada?

-”Não vai em tal hospital, porque fulana foi lá e morreu/ o bebê morreu”
Essa é terrível. Fatalidades acontecem, e nenhuma gestante no mundo quer ser a próxima a passar por isso. No, entanto, não há como prever o futuro, cada mulher é de um jeito, cada trabalho de parto evolui de um jeito. Se a mulher confia na maternidade e no obstetra escolhido, ela tem motivos pra isso. Colocar minhocas na cabeça dela em um momento tão vulnerável só vai atrapalhar as coisas.

Continua…


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