O que é a vacina de dois meses


A vacina que a criança toma aos 2 meses era muito temida por mim. Dias antes de o Bernardo fechar os dois meses eu já estava nervosa, pensando no sofrimento que esperava o meu bebê, quanto tempo duraria e o que poderíamos fazer para amenizar isso. Para quem não tem filhos, explico: a vacina de 2 meses na verdade são 4 vacinas, combos contra várias doenças. Eis a descrição delas no Calendário Nacional de Vacinação:

Penta: protege contra Difteria, Tétano, Coqueluche, Hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus Influenzae b.
VIP: Poliomielite (Paralisia infantil).
VORH: Diarréia por Rotavírus.
Pneumo 10: Infecçoes invasivas como Meningite, Pneumonia e Otite Média Aguda.

Deu pra sentir a importância dessas vacinas? Aliás, toda vacina é muito importante. Por favor, não deixe de vacinar o seu filho.

O caso é que esse tanto de coisa obviamente pode causar efeitos colaterais, nos dias que se seguem à vacina. É normal o bebê ter febre, dores nos locais das picadas (são três picadas nas pernas), apatia, falta de apetite, sonolência. Os sintomas variam de criança para criança, assim como o número de dias que eles duram.

As reações da vacina

reacoes da vacina de dois meses - O que é a vacina de dois meses

Eu tinha muito medo de as vacinas darem muitas reações no meu bebê. Na última consulta de rotina dele, a médica me disse que poderia chegar e já dar 5 gotas de Paracetamol quando chegasse em casa, antes da febre. Isso me deixou mais confiante, mais eis que, durante a aplicação, a enfermeira diz que o Paracetamol cortava o efeito de uma das vacinas, e portanto eu só poderia dá-lo após 6 horas. “Apaga o que a médica falou, e caso dê febre nele, dê Ibuprofeno Gotas ou Alivium”. Mesmo receosa, comprei o Ibuprofeno.

Lembro que quando o meu Bebê, com 4 dias de vida, tomou a BCG, eu caí em prantos assim que ele chorou. Não foi diferente dessa vez, principalmente porque foram três picadas (2 na perna direita e 1 na esquerda, além da oral), mas também porque ele gritou e se debateu, mesmo eu segurando a mão dele, e porque ele espichou um beiço magoado, quando o peguei no colo 🙁 . Ainda assim o choro foi só na hora, e dei o peito assim que acabamos, o que ajudou a acalmá-lo. Como adiantei o trabalho do dia e me programei para dar total atenção a ele durante a tarde, chegamos em casa e fomos direto para a cama.

Ele logo começou a ficar abatido e sonolento, mas o mais terrível foram as dores nas pernas: ele cochilava e acordava gritando de dor. Não queria nem mamar, e só de tocarmos para trocar a fralda, ele já gritava, tanto que até o banho do dia eu dispensei.

A febre, mesmo, apareceu lás pelas 17:30, quando o termômetro digital que estava subindo devagar finalmente marcou os temidos 37,5oC. Demos as gotas de Ibuprofeno, que ele cuspia e tinhamos que ficar colocando de volta na boca dele com a colher. O remédio fez efeito rápido, e fiquei muito aliviada ao ver meu filho mais bem disposto e sem chorar pela dor nas pernas. Ele até conseguiu mamar! Mas a ausência de dor não durou muito tempo, e logo ficou ainda pior: não tinha posição que o deixasse mais aliviado, e aí era eu e ele chorando.

A solução foram compressas com água da torneira, que a própria enfermeira tinha indicado. Fiz com uma própria fralda de pano dele, fiquei um tempo segurando em ambas as pernas ao mesmo tempo, e foi o suficiente para ele ficar mais tranquilo. O efeito foi tão poderoso, que tirei a fralda por dez segundos para poder ajeitá-lo na cama, e ele voltou a berrar de dor.

A febre voltou antes de completar o tempo necessário para dar a outra medicação, e o jeito foi colocar uma fraldinha molhada na testa dele também. Felizmente deu certo e consegui controlar a temperatura até o horário em que poderia dar o Paracetamol, mas assim que dei, ele vomitou um grande jato de leite com o remédio junto (e depois me dei conta de que ele havia mamado a pouco tempo, por isso o vômito). Lá fui eu pesquisar na internet o que poderia fazer, e assim descobri que, se a criança vomitar na hora ou até 15 minutos após tomar o remédio, repetimos a dose inteira (por favor, pergunte essas possibilidades ao pediatra do seu bebê! Eu não perguntei por inexperiência e acabei recorrendo a “São Google” na hora do desespero, algo que nem sempre dá certo).

Fiquei com medo, mas o medo do remédio não foi maior que o medo que meu filho convulsionasse pela febre alta, então demos. Graças a todos os deuses e deusas, a febre baixou, as dores passaram, e ele conseguiu dormir tranquilo a noite inteira. Já nós, acordávamos de hora em hora, para controlar a temperatura.

Tivemos muita sorte com o Bernardo, pois já no dia seguinte ele estava melhor. Ele voltou a movimentar as pernas, aparentando não ter dor. Controlei a temperatura o dia inteiro usando a fraldinha molhada; ela subiu apenas final da tarde, e uma dose de Paracetamol resolveu. Ele mamou normalmente durante todo dia, tomou banho sem problemas e dormiu bem, embora ainda um pouco abatido.

No terceiro dia, o único sintoma foi a sonolência, mas dormir bastante acabou sendo bom para a recuperação dele. Permaneci medindo a temperatura de hora em hora, e nada de febre. No dia seguinte ele já estava completamente recuperado e muito risonho, sem qualquer sinal de febre, dor ou apatia.

Sei que há muitas outras vacinas pela frente, mas acredito que a experiência vai me deixar mais calma, para enfrentar as próximas. Vi relatos de mães dizendo que o filho teve febre e dor por mais de uma semana, e outras as quais os filhos só sentiram sonolência. Se seu bebê vai passar por isso, arme-se de paciência, e saiba que a melhor maneira de confortá-lo é com muito carinho, colo, peito e aconchego.


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