Meu bebê pode ser amamentado por outra pessoa?


Vou dar a resposta direta, antes mesmo de começar o artigo: não, não é saudável, não é nada seguro, e o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) contraindicam. Feito isso, agora vamos começar de novo.

Amamentação cruzada, para quem não sabe, é quando um bebê é amamentado no seio por outra mulher que não sua mãe. Algo que antigamente era muito comum, muitas pessoas da minha idade tiveram as chamadas “mães de leite” ou “amas de leite”. A intenção é boa, é até bonito uma pessoa ser abnegada a ponto de querer amamentar um bebê que não é seu filho. Mas não dá, gente. Os anos passaram, estudos felizmente sempre são feitos, e já foi comprovado que várias doenças são transmitidas via leite materno, inclusive o vírus HIV.

A ideia para escrever sobre isso veio depois que li uma matéria, sobre uma mãe que foi buscar seu bebê na creche e flagrou uma cuidadora o amamentando. A situação toda foi absurda. Já quando foi deixar a menina, no primeiro dia, a funcionária deu uma lição de moral na mãe, ao ver que a criança tomava fórmula, julgando-a por dar à filha “aquela porcaria” (a mãe é adotiva, por isso não amamenta; a fórmula foi indicada pelo pediatra). Alguns dias depois, a mãe chegou para buscar o bebê e simplesmente o viu sendo amamentado pela cuidadora, que ainda teve a petulância de dizer estava “salvando a vida da criança”.

Talvez eu seja chamada de ciumenta e possessiva por isso, mas fico pirada só de imaginar alguém amamentando meu bebê. A amamentação é um momento único entre mãe e filho, é um laço só dos dois, é forte e inexplicável, não cabe mais ninguém. Sinceramente, nem sei o que eu faria. E, ainda que seja uma situação em que a mãe não pode amamentar, ainda que não existisse o risco das doenças: NADA justifica uma pessoa simplesmente amamentar o bebê sem autorização da mãe. A única situação justificável seria como o caso da policial que amamentou o bebê desesperado após o incêndio, e a mãe estava desacordada (sim, isso aconteceu). Tirando isso, eu não admitiria, de jeito nenhum. Não importa se é avó, se é tia, se é amiga, se é alguém de completa confiança. 1)Doenças não estão escritas na cara das pessoas. Ela pode ter a melhor das intenções, e acabar infectando o bebê sem saber. 2)Repitam comigo: só a mãe decide, só a mãe autoriza; só a mãe decide, só a mãe autoriza.

E contra fatos não há argumentos. O riscos da transmissão de doenças são reais, e tem mais: o leite materno é tão maravilhoso, que o corpo da mãe produz o mais indicado para o bebê: se seu bebê estiver resfriado, seu leite vai reforçar para curá-lo; se ele for prematuro, seu leite também será produzido com tudo o que um prematuro precisa. Não deixe ninguém dizer que seu leite não é o suficiente; se por algum motivo ele não for, o pediatra vai indicar a fórmula, e você NÃO será menos mãe por isso. Proteja o seu filho, faça valer sua autoridade, e não deixe outra pessoa amamentá-lo só porque “ela só quer ajudar e fica chato dizer não”. Isso não existe. Precisamos aprender a dizer não em todas as áreas da vida, e a maternidade é uma das mais importantes.

Mas, e se seu bebê realmente precisar do leite materno, e por algum motivo não puder tomar fórmula? Procure um Banco de Leite. Lá os leites passam por testes e são pasteurizados, o que elimina as chances de contaminação. E você, mãe que tem mais leite do que seu bebê precisa e quer ajudar outros bebês: faça da forma correta, procure também um Banco de Leite. Eles buscam na sua casa, é muito mais seguro, e muitos outros bebês serão ajudados.


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