Me rendi à cama compartilhada


Eu tentei, juro que tentei, mas me rendi a cama compartilhada. Nos dois primeiros meses de vida do meu filho, lutei com unhas e dentes para que ele tivesse o próprio espaço para dormir.

Coloquei o carrinho ao lado da cama e deixei minha mão sobre ele, durante a noite; tentei fazê-lo dormir já no carrinho; tentei fazê-lo dormir no cercado; tentei o berço… tentei de tudo. Em algumas poucas noites consegui fazer com que o meu bebê dormisse na própria cama dele, mas ainda assim coloquei ele na minha cama de manhã cedo, quando ele chorou.

        Mas, em quase todas as noites, ele acordava várias vezes ou dormia se debatendo, resmungando e até chorando baixinho, como se estivesse preso em um pesadelo. Até que começou a ficar no peito a noite inteira e chorar desesperadamente quando eu tirava. Foram muitas noites seguidas assim, acabando sempre com nós dois pegando no sono de exaustão e eu super culpada, por não cumprir a missão de fazê-lo dormir no próprio berço.

           Sempre torci o nariz para a cama compartilhada. Achava que a criança se tornaria muito dependente. Que seria impossível colocá-lo no próprio quarto, se o acostumasse assim. Que ninguém descansaria, com um bebê ocupando a cama. Que sufocaríamos ele, durante o sono.

             Mas, deixa eu contar uma coisa pra vocês que também não conseguiram deixar o bebê fora da cama de casal e também estão se culpando. O bebê passou mais de nove meses apertadinho dentro do útero, acostumado ao seu cheiro, aos sons do seu corpo, às batidas do seu coração. Aqui fora, durante as noites, é tudo muito escuro e silencioso. Ele não entende nada disso. Ele não sabe o que está acontecendo. Ele sente medo, insegurança. Se tentarmos apenas uma vez enxergar tudo isso pelo ponto de vista do bebê, dá vontade de chorar tanto quanto ele. Imaginem o que passa na cabecinha dele!

          Quando me dei por vencida e assumi a cama compartilhada, foi melhor para o sono de todo mundo. Eu durmo mais tranquila (porque acordo com qualquer barulho que o Bernardo faz, e estando na cama comigo ele faz muito menos); ele dorme aconchegado e com interrupções apenas para mamar – e por falar nas mamadas, a cama compartilhada só fez bem para a amamentação noturna, amamentar deitada é vida e é seguro, ao contrário do que muitos dizem; e não, o papai não reclama – aliás, por ele já teríamos deixado o Bernardo dormir conosco desde o início, fui eu a insistente em usar um berço portátil. E não, isso não estragou o casamento. Um casamento com amor de verdade só fortalece, quando o filho vem.

           Fiz esse post como uma confissão misturada à desabafo, e para dizer a você que não há nada de errado com você ou com seu filho, se você passou ou está passando pela mesma situação. Bebês não são pré-programados, não vem com manual de instruções, e nem tudo vai ser como a gente imaginou.

baby sleeping2 1 - Me rendi à cama compartilhada

E está tudo bem. Você não é uma mãe ruim, e maternidade não é competição – as vezes parece, mas não é. O que te torna uma boa mãe é o amor e o zelo pelo seu filho, e não os pontos que você marca na “cartilha da super mãe”. E cama compartilhada é tudo de bom! Claro que alguns cuidados devem ser tomados (escreverei outro artigo sobre isso), mas dá tudo certo, se você souber curtir esse momento da maneira que ele vier pra você.

        E além do mais, eles crescem incrivelmente rápido, gente. Logo eles não vão mais querer dormir com as mamães!


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