“Corpo de mãe”, respeito e aceitação


Corpo e forma física são sempre um assunto controverso, e a busca por aceitação pode levar à extremos. Tem muita gente (leia-se “mulheres”) adoecendo com remédios e dietas malucas, em busca da barriguinha sequinha de Instagram. Também tem muita gente confundindo doença com liberdade. Até que ponto devemos maltratar nosso organismo, a fim de se encaixar nos padrões? E o quão tênue é a linha que nos faz descuidar da nossa saúde, por pura falta de força de vontade para mudar?

Cada corpo é de um jeito, cada metabolismo é de um jeito, ninguém é igual. Esse assunto dá margem para várias reflexões, especialmente quando a maternidade está envolvida. Poucas coisas mexem tanto com uma mulher quanto gerar uma vida, com a mente, os sentimentos e, sim, o corpo dela. É saudável uma mulher que pariu recentemente já estar na batalha para recuperar a boa forma? Depende. É saúdável uma outra mulher não ter tempo e nem fazer esforço nenhum para cuidar do próprio corpo? De novo, depende.

Quando estava grávida, eu fazia yoga. Embora não tivesse nenhuma contraindicação, parei de correr porque morria de medo de tombos. Mas continuei com a yoga até o dia do parto, por vários motivos: porque ser sedentária faz mal para o meu humor e a minha saúde; porque queria manter minha disposição e mobilidade ao longo daqueles meses; porque sabia que exercícios ajudam para o momento do parto; e sim, porque eu queria manter a boa forma, tanto quanto era possível para uma mulher carregando um bebê. Não existia uma pressão de fora, de marido ou trabalho, a pressão sempre foi apenas minha – eu queria ser uma mãe saudável, ativa. Eu sabia que ficar muito acima do meu peso comum afetaria minha auto-estima e me faria sentir mal, então sempre batalhei. Tive um parto normal com episiotomia, e os pontos caíram cerca de uma semana depois. 10 dias após meu filho nascer, voltei com a yoga; 1 mês e meio depois, com a rotina mais organizada e acostumada ao bebê, voltei a correr.

Mas porque estou dando meu exemplo? Para que entendam que se cuidar, seja lá o que isso signifique, sempre deve partir da gente e do que agrada a nós mesmas. Vejo mães dizendo umas às outras que se cuidam para “não levar chifre” ou “não perder o marido”, e além de terrivelmente machista, isso é muito triste. Como podem existir maridos assim, capazes de magoar as esposas que acabaram de gerar os filhos deles, por elas não parecerem tão bonitas quanto eles gostariam? Só quem é mãe sabe o cansaço e o desespero que se instalam no período pós-parto, e uma mulher passando por isso deve fazer o que lhe fizer bem. Quer fazer as unhas ou pedalar na ergométrica assim que o bebê dormir, porque isso vai levantar seu astral? Faça isso! Mas se você não quer, se não sente vontade ainda, não se violente.

Eu não acho que o meu corpo tenha mudado muito após a gravidez, mas sei que algumas mulheres mudam completamente. Não deve ser fácil lidar com isso, mas saibam que tudo bem. Eu estava sempre com as unhas feitas antes do Bernardo nascer, e hoje em dia só faço quando tenho algum evento, então também não saí ilesa – ninguém sai! O importante é que você respeite a si mesma, respeite seu corpo, seja dormindo a tarde toda agarradinha com seu pequeno, seja exigindo colaboração do companheiro para conseguir malhar, como eu fazia e ainda faço. É o seu corpo, a sua saúde e o seu momento, então não deixe que pressão alguma tire isso de você.

Imagem encontrada no Hypeness.


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