Como proteger as crianças da maldade na internet?


como proteger as criancas da maldade na internet - Como proteger as crianças da maldade na internet?

Eu não tinha acesso à internet quando criança, mas assistia bastante TV. Mas também sempre amei livros e revistas. Mesmo antes de saber ler eu já gostava, e quando aprendi a ler, ninguém mais me segurou. Hoje em dia não tenho tanto tempo disponível, mas já tive uma fase da vida de ler 1 livro por semana.

Quero criar meu filho assim, lendo bastante, e para isso já criei o hábito de comprar livrinhos e ler histórias para ele. Isso é bom não só para torná-lo um leitor, mas importante até para desenvolver audição e fala, na fase em que ele está. Não pretendo proibi-lo de acessar a internet, pois a internet é fundamental e não podemos simplesmente alienar a criança do mundo. Mas limites, nesse campo, é não só questão de educação, mas também de saúde, qualidade de vida e – acreditem – segurança.

Recentemente, dois verdadeiros escândalos ganharam os holofotes, ambos tendo como protagonista o Youtube, o maior site de vídeos do mundo. No primeiro, um pouco antes, o youtuber Felipe Neto, um dos maiores do país, denunciou algo que já havia sido denunciado por youtubers gringos, mas sem muita repercussão no Brasil: uma verdadeira “rede” de pedofilia dentro da plataforma, onde usuários buscam vídeos de crianças (em sua maioria, meninas com menos de dez anos), seres indefesos, sem noção da própria vulnerabilidade e do risco a que vídeos simples de dança, brincadeiras e vlogs as expõem.

O vídeo do Felipe mostrou em detalhes (tomando o cuidado de esconder os menores que aparecem) como esses pedófilos se “ajudam”, marcando minutos do vídeo em que as meninas aparecem de biquíni, fazendo determinadas posturas na dança, ou mesmo cenas em que uma calcinha aparece. O escândalo se deveu ao fato de que o Youtube simplesmente desabilitou os comentários de alguns, o que torna tudo ainda mais grave – afinal, significa que a rede sabe do que acontece, mas opta por ignorar, ao invés de pegar os criminosos. Após a denúncia de Felipe, o Youtube Brasil divulgou nota pedindo que usuários denunciem ao verem comportamentos maliciosos do tipo, e se prontificando a investigar os assediadores (não fazem mais do que a obrigação).

O segundo acontecido também é um verdadeiro horror, porém totalmente diferente. Pais começaram a denunciar anúncios assustadores aparecendo em vídeos do Youtube Kids, perfil infantil inaugurado recentemente.Mães desesperadas em grupos do Facebook mostraram alguns vídeos, e neles, aparentemente inofensivos como por exemplo, o desenho “Baby Shark”, são interrompidos pela personagem “Momo” (não vou colocar a foto aqui por motivos óbvios; se você não a conhece, é só jogar no Google). A Momo nada mais é do que uma escultura criada pela empresa japonesa Link Factory, de efeitos especiais.

É feia, mas não é nada além de uma boneca. Mas sua aparência é inegavelmente perturbadora, e já havia viralizado nas mídias sociais em 2018, com a lenda urbana de desafiar pessoas ao suicídio. Em 2019 ela voltou à tona de maneira muito mais cruel. Nesses vídeos infantis citados, ela aparece em fundo e música assustadores, e uma voz em vários idiomas convida as crianças para uma “brincadeira”. Essa brincadeira instrui a criança a pegar objetos cortantes e se ferir, ou ferir o irmão mais novo, ou ferir os pais. E se você acha que não pode piorar, saiba que em alguns vídeos ela volta, questionando se a criança cumpriu o desafio. E ameaçando-a de aparecer à noite e pegá-la, se ela não tiver cumprido.

São situações desesperadoras, que mostram o quando a humanidade é podre e o quanto nossos filhos são vulneráveis. É terrivelmente assustador pensar em um pedófilo assediando meu filho de alguma maneira, ou imaginando-o chorando e assustado após ver uma figura ameaçadora em um vídeo. Como proteger nossas crianças de coisas tão terríveis, se nem mesmo dentro de casa elas estão seguras, nem mesmo com a gente por perto?

De novo, limites e cuidados são essenciais aqui. Se sua criança insiste em ter um canal e você optar por permitir, acompanhe isso de perto. Não a deixe divulgar telefone, endereço ou qualquer dado pessoal. Assista os vídeos antes de subi-los no site, e jamais permita que a criança se exponha além do recomendado à idade. Não permita que aborde assuntos fora de sua faixa etária. Não é superproteção, é apenas fazer com que uma criança aja como tal, pois ela sozinha não tem noção do perigo. E se seu filho for assediado em comentários ou de qualquer outra maneira, tire prints, denuncie à plataforma. Faça barulho.

No caso dos vídeos infantis com a Momo, a recomendação geral tem sido suspender o acesso de crianças ao Youtube enquanto isso não for totalmente esclarecido, ou no mínimo assistir junto com a criança e agir rápido, caso os tais anúncios apareçam.

Mais uma vez, fotografe, tire print, denuncie à plataforma, e proteja a criança de ver aquilo o mais rápido possível. Se a criança já é maiorzinha, converse com ela para preveni-la de um possível acesso, e explique que se ver, deve pausar o vídeo e chamar o adulto responsável imediatamente. Ensine, com carinho, que aquilo é mentira, que a Momo não virá pegá-lo, e que ela jamais deve ferir outras pessoas ou a si mesma, que jamais deve pegar qualquer objeto perigoso sem a supervisão de um adulto.

Sabemos que o dia a dia é corrido, que nem sempre conseguimos dar total atenção ao que nossos filhos estão fazendo. Mas vivemos em tempos obscuros, então não deixe seu filho na internet sem supervisão. Ensine-o a brincar de outras formas, dê livros, dê revistas de colorir, coloque tempo para ficar em frente à TV ou ao computador. E fique atento, sempre. Nada é exagero, quando se trata de proteger nossas crianças da maldade humana.

OBS: Antes do fechamento desse artigo, o Youtube divulgou nota onde afirmou já ter feito varredura nos vídeos do Youtube Kids, onde não foi encontrado qualquer anúncio dos divulgados. Aparentemente, foi mais um caso de histeria coletiva, causado por uma montagem feita por alguém que aproveitou a situação. Menos mal. Ainda assim, os cuidados aconselhados nesse artigo são totalmente válidos, não só para o Youtube, mas também para qualquer rede social, principalmente Facebook e WhatsApp.


One Reply to “Como proteger as crianças da maldade na internet?”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *