A maternidade é uma dor na alma


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Eu não posso falar por todas as mães do mundo, e nem é essa minha pretensão. A gente é tão acostumada a ler/ver/ouvir os mais variados veículos romantizando a maternidade, que dá até um certo receio falar qualquer coisa contrária. Mas não tô aqui pra pedir biscoito: maternidade dói, gente, dói muito. Pelo menos pra mim, de certa forma foi uma perda de identidade.

Eu sempre fui fria. Não no sentido de não se comover com nada, mas também nunca fui daquelas pessoas que choram lendo notícias ruim. Era no máximo um “puxa, que triste”, mas nada que ficasse na minha cabeça (a não ser que envolvesse animais, aí sim eu alagava a casa). Mas ainda na gravidez, isso já começou a mudar.

Nunca mais consegui ficar indiferente a uma criança na rua, ou vendendo algo no metrô, por exemplo. Se fosse um menino, então, eu automaticamente imaginava meu filho naquela situação, e sentia arrepios.

Certa vez, tive que segurar as lágrimas ao ver uma mãe com um garoto na cadeira de rodas, que parecia ter paralisia cerebral. Sempre digo ao meu marido que, quando o Bernardo chora por querer peito ou simplesmente colo, agradeço às autoridades divinas por ele ter saúde o suficiente para fazer isso.

E se vejo alguma criancinha em condições de miséria, seja na rua, na internet ou na TV, olho para as pernas gordinhas do meu filho e, ao mesmo tempo em que agradeço a minha sorte, me pergunto o que aquela criança e tantas outras podem ter de tão diferente de nós, para merecerem estar naquela situação.

Ser mãe me mudou por dentro. Eu já disse em outro texto que um parto muda uma pessoa, mas a verdade é que o que muda é o amor, que cresce a cada dia, a ponto de me deixar em prantos por não suportar a ideia de algo ruim acontecendo. Sentir medo o tempo todo dói no coração, na cabeça e na alma.

Isso é uma das partes agoniantes da maternidade, mas não supera as partes boas. É incrível ver os olhos dele brilhando pra mim enquanto o alimento, e perceber o quanto sou importante para aquela pessoinha, sem importar meu peso, minha altura ou minha conta bancária.


E mesmo a dor na alma pode ser encarada como algo bom. Afinal, se algo faz com que você tenha mais empatia pelo próximo, isso só pode ter te tornado uma pessoa melhor.


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