A culpa é da mãe


a culpa e da mae - A culpa é da mãe

Na última postagem, comentei que ser mãe é se sentir inadequada o tempo todo. Corrijo: mais do que isso, é se sentir culpada o tempo todo. Porque a culpa “sempre” é da mãe.

Meu bebê não tem 1 mês ainda, e chegou àquela fase de só querer colo o tempo todo. Trabalhamos na maior parte do tempo sentados em frente ao computador, um braço segurando ele e só o outro disponível para digitar. Comigo ele ainda topa ficar em cima do travesseiro, já com o pai ele ainda exige que as duas mãos estejam nele. O caso é que hoje meu marido foi almoçar com aguns colegas, e ficamos só eu e o Bernardo. E eu precisei estender roupas. Resumindo: Eram cinco minutos estendendo roupas (muuuitas), um de pausa para pegar o bebê no colo e acalmá-lo. Cinco com as roupas, um com o bebê.

Mas a verdade é que não suporto deixar o Bernardo chorar, embora seja inevitável em alguns momentos. Ele é um recém nascido, e eu sei que recém nascidos choram por medo, por necessidade de aconchego, por vários motivos. Acho lindo quando o pegamos e ele imediatamente coloca os bracinhos ao nosso redor e encosta a cabeça, com toda a confiança. Quando ouço ele chorar sem receber o colo que deseja, fico imaginando o que ele está sentindo, e me sinto mal demais com isso. Me sinto horrível.

O “se sentir horrível” se tornou uma constante, desde que o Bernardo nasceu. Ter um filho é carregar o coração do lado de fora do peito. Vivo com medo de doenças, de alergias, de deixar escorregar na hora do banho, de não estar cuidando direito. Recentemente ele teve cólica, e aí foi o momento de eu recaptular tudo o que havia comido, e me perguntar o que tinha feito de errado. A mãe, aos olhos alheios e principalmente aos pŕoprios, é sempre a culpada de tudo, desde a gravidez.

Quando você está grávida, parece que automaticamente todo mundo passa a saber o que você pode e não pode comer, se pode ou não fazer exercícios, e o que pode e não pode fazer no trabalho. Todo mundo dá palpite na gravidez, e depois que o bebê nasce isso só aumenta. Dá a chupeta, não dá chupeta; Não come isso, ele vai ter cólica; Tá com roupa demais; Tá com roupa de menos.

No fim de semana em que ele veio pra casa, minha mãe e minha sogra vieram. Comentei que estava pensando em tirar leite com a bombinha e dar a ele com a mamadeira, para que o pai pudesse alimentá-lo no dia da minha consulta médica pós-parto. Aí gerou-se a discussão: minha sogra dizendo que não devo fazer isso, pois ele pode largar o peito; minha mãe dizendo que se ele largar não tem importância, pois vai tomar leite materno do mesmo jeito. E ali as duas ficaram debatendo o que era melhor, como se o peito não fosse meu e eu não estivesse ali.

Mãe não tem direito ao cansaço, ou à reclamação, ou a de não querer visitas surpresas dois dias depois de parir. Se pedir pra visita passar álcool gel antes de tocar no bebê, é fresca e megera; se não fizer isso, vai passar a tarde e a noite com medo que alguma doença apareça no pequeno, e se aparecer a culpa é dela por não ter protegido o suficiente. Mãe tá na fila do posto de saúde e tem que ouvir que “não devia já estar na rua com o bebê tão pequeno (mas de que outro jeito ele ia ir tomar vacina?). E, se o bebê trocou o dia pela noite, culpa sua que “botou balda” e deixa ele dormir demais durante o dia.

Não é fácil, amigas. Se você também passa por isso, já passou, ou é gestante e está prestes a passar, minha total solidariedade a você. Não é fácil ser culpada de tudo o tempo todo.

Aproveite e compartilhe com outras mamães.


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